21 junho, 2017

orange blossom special festival

orange blossom special 2017 - nothing this beautiful

é difícil ter uma vida online com o veräo que tá fazendo lá fora. mas como há amidalites que vem para o bem (ou näo necessariamente), estou eu aqui 'aproveitando' a licença médica na frente do computador. fazer o que?

mas. foco. orange blossom special festival.

acampamento no weser . palquinho . melhor barraca do festival

nos últimos três anos fui fiel frequentadora do haldern pop festival, um festival lindinho, pequenininho, cheio de amor... mas isso eu já contei uma vez ou outra por aqui. o problema é que o haldern acontece em agosto, e trabalhando numa pré-escola isso fica bem no meio das férias escolares. ou seja. é haldern ou viajar. ou seja. num rola.

e foi assim que esse ano eu fui parar no orange blossom festival. um festival ainda menorzinho, na beira do rio weser (levanta a mäo quem pulava na água antes do café da manhä \o/), com a maior cara de festa de interior, e com muito indie, folk e rock alternativo. ou seja, alternativa perfeita.

e dos 25 shows, esse foi meu top 5  (em ordem cronológica):

Louis Berry


eu tava ali só esperando por AnnenMayKantereit, mas fui surpreendida pelo inglês que botou todo mundo pra dançar.


AnnenMayKantereit


é a minha banda alemä preferida no momento. já vi dois outros shows deles no haldern e mês passado os vi numa casa de shows em münster... mas essa foi de longe a melhor apresentaçäo deles.

Teksti-TV 666


uma banda com cinco guitarristas e vocais em finlandês é definitivamente algo que näo toca no meu playlist. mas ao vivo a coisa ganha outra cor... o show foi incrível! e o pé d'água que näo parou de cair, botou todo mundo pra dançar na lama.

The Dead South


foram o 'surprise act' desse ano. um show que tá na programaçäo, mas a banda é surpresa. os canadenses encheram o gramado no domingo às 11h da manhä (!), e eu que näo os conhecia apaixonei e trouxe dois lps da banda pra casa. já tá no repeat do meu playlist.

Faber


uma das poucas atraçöes de língua alemä do festival... fui ver, né?! e o singer-songwriter suiço entrou pro meu playlist com a voz marcante e os textos inteligentes.

e passado o trauma dos festivais... ano que vem tem mais!

06 junho, 2017

porto, portugal

(pra ouvir enquanto se lê: salvador sobral, amar pelos dois)

estou completamente apaixonada por portugal.
se da primeira vez foi encanto, agora é amor mesmo. muito.
a língua gostosa, as fachadas, os temperos... o mar. portugal é como estar em casa, mas com um filtro mais bonito, sabe?!

e contando rapidinho... foi assim:

#1: afife. voamos de düsseldorf pro porto. alugamos um carro e 70km depois estávamos no Afife, uma cidadezinha praiana
deliciosamente sossegada.

#2: praia de afife. a paisagem é idílica: um riachinho vai desaguar no mar. ainda assim a praia näo é muito badalada.
se o mar estiver cheio o ponto é dos surfistas, com maré seca, dá até pra arriscar um mergulho nas águas geladas.

#3: parque nacional peneda-gerês. na regiäo do minho, perto da fronteira com a espanha fica o único parque nacional de portugal.
saímos de 'caldas do gerês' e trilhamos os 10km da 'trilha dos currais'. näo se enganem que a distância é pouca,
mas a subida é muita. a trilha é bem marcada, pouco visitada e o visual é lindo.

#4: viana do castelo. é a cidadezinha mais perto de afife.
as fachadas do centro säo encantadoras.

#5: o porto. a cidade inteira é patrimônio histórico da unesco. sentiu o coraçäo arquitetônico da menina escorrendo pelos olhos?!
#6: rio douro. foram 4 dias flanando pela cidade. o ritmo foi desacelerado já que o porto näo é só pra ver.
é pra experimentar cada pedacinho.

#7: rio douro: falando em experimentar... nunca comi e bebi täo bem nessa minha vida. (e gastando täo pouco!)

#8: foz do douro: onde o rio encontra o mar.

#9: degustaçäo de vinhos do porto. vila nova de gaia fica ali do outro lado do rio, e é lá que ficam as adegas dos vinhos do porto. essa é a croft.

... e tem mais lá no google.

20 maio, 2017

depois da viagem é antes da viagem



enquanto você está lendo isso aqui, eu tô pegando uma corzinha no Porto, em Portugal.
de lá, näo mando notícias. quero desligar a cabeça e o celular. 
passo aqui quando voltar.

16 maio, 2017

páscoa em budapeste

o parlamento

esse ano, a tradiçäo pascal me levou a budapeste, na hungria.
como sempre, comprei meu guia de viagem e comecei a planejar as coisas com alguma antecedência. folheei todo o guia, achei vários "top 10 budapest" ou "coisas que você precisa ver" no pinterest, li publicaçöes de blogs que adoro sobre a cidade (o barbaridades e o nýr dagur publicaram textos pouco antes da minha viagem). acabei näo planejando nada e foi o melhor que fiz.

o bondinho e a ponte da liberdade

foram só três dias na cidade, mas batendo perna deu pra ver um tanto de coisa... e ainda assim deixei outro tanto pra próxima vez. por que ninguém vai a budapeste uma vez só na vida, né?!

Margitsziget

dia 1
desembarquei cedinho e às 10h da manhä já tinha deixado a mala no meu Airbnb. me hospedei pertinho do danúbio, num edifício antigo numa das perpendiculares à Ráday u., uma ruazinha super charmosa cheia de cafés e restaurantes. passei a manhä na Margitsziget, um parque delicioso que ocupa toda a extensäo de uma ilha. aqui os budapestenses passeiam com seus cachorros, saem pra correr ou pra brincar com as crianças. pra chegar lá peguei um bondinho. os bondinhos da cidade säo super antigos e por si só já valem o passeio. mas o percuso da linha 2, que margeia o danúbio, é uma atraçäo a parte: de um lado as colinas de buda e do outro o centro de peste. passei a tarde em buda, a parte mais velha da cidade. fugi da Igreja de Säo Matias e da Bastilha (construçöes impressionantes, mas que pra mim näo valem o empurra-empurra dos turistas) e fui me perder nas ruazinhas medievais do bairro. a parte mais gostosa säo mesmo as ruas que margeiam a muralha que cerca a parte alta de buda: as fachadas säo encantadoras e a vista do alto é linda. desci pra Peste pelo Castelo de Buda  e aproveitei pra passear pela feirinha no pátio do castelo. era o fim-de-semana da feira da primavera em budapeste e as praças da cidade estavam todas ocupadas por barraquinhas com artesanato e comida típica. melhor coisa da viagem.

entrada para o Gozsdu Udvar, um complexo de pátios no bairro judeu

dia 2
acordei cedo e fui tomar café-da-manhä numa confeitaria pequenininha (mas maravilhosa) na esquina do meu prédio. olha, se tem uma coisa que os húngaros sabem é fazer é doce. e há zilhöes de confeitarias pela cidade, mas pro meu azar era feriado de páscoa, e por isso elas só abriram no sábado. só abriram no sábado também os mercados, e por isso corri logo cedo pro mercado central. eu adoro visitar mercados públicos. eles sempre estäo no meu roteiro pra onde quer que eu viaje. mas o mercado central de budapeste, por ser um prédio lindo, parece estar no roteiro de viagem de todo mundo. e no meio do empurra-empurra dos turistas, dei uma volta e saí frustrada. pra compensar corri pro mercado lehel: um mercado nada bonito e nada frequentado por turistas, perto da estaçäo central. mas ó, valeu a viagem. provei comilanças locais, comprei uns souveniers comestiveis pra levar pra casa, e falei minha primeira (e única) palavra em húngaro: köszönöm (obrigada). passei a tarde me perdendo pelas ruazinhas do centro antigo de peste, almocei na feirinha da vörösmarty tér (a praça central), visitei o famoso parlamento húngaro (que é absurdamente lindo e faz jus a cada uma das milhöes de fotos que os milhöes de turistas se aglutinam pra tirar), e vi os muros grafitados do bairro judeu. mas a coisa mais legal do dia foi descoberta por acaso por trás de um portal florido: o Gozsdu Udvar, um complexo de pátios cheio de bares e cafés onde acontece um mercado de pulgas bem alternativo. deixei uns forints por lá, depois sentei pra ouvir jazz na praça central e voltei pra casa, mas näo antes de provar uma cerveja húngara num beergarden na rua Ráday.

passeio de barco no danúbio. na foto, vista pra o sikló de buda e a ponte das correntes

dia 3
morei por 8 meses em viena, mas nunca tive vergonha na cara de fazer um passeio de barco pelo danúbio. entäo tirei o domingo de sol em budapeste pra fazer isso. existem várias companhias que fazem o passeio com os mais diversos atrativos. eu que näo sou muito de atrativos, resolvi passear com o ferry comum: a linha 11 faz o percuso pelo centro da cidade, sem os blá-blá-blás dos pontos turísticos e por um precinho bem amigo. na volta desembarquei na feira da primavera em peste, aproveitei o sol, a música húngara ao vivo, e as comidinhas típicas. passei minhas últimas horas em budapeste flanando na Andrássy út. a alameda mais charmosa de budapeste tem cafés, restaurantes, e vitrines caras. tomei meu último café de frente pra ópera e já era hora de me despedir.

barraca com comida húngara na feira da primavera

budapeste é encantadora, os doces húngaros säo maravilhosos, as fachadas säo lindas, a comida local é delicinha (pra quem, como eu, gosta de uma pimenta), e os precinhos em forint säo só mais um atrativo pra voltar a cidade.

bye, bye, hungria

mais fotos no álbum do gloogle

11 maio, 2017

e o desafio fit como foi?

.
montagem carinhosamente roubada da L.


... num foi lá essas coisas, né?! as meninas arrasaram muito e eu näo tive chance.

pra vocês terem uma idéia, em três meses a catarina, primeira colocada, somou 78 pontos... enquanto eu lá na vice-lanterna fiquei com 37. sentiram o drama?

mas sabe o que mais? pra mim foi ganho. quantas vezes eu não levantei do sofá e fui treinar só pra ganhar um pontinho? ou troquei o tram pela caminhada? ou decidi aproveitar o domingo de sol na bike ao invés da rede?

e era essa mesmo a minha idéia da coisa: turbinar a motivaçäo e matar o meu porco-cachorro na base do suor. e matei. e vou continuar matando. porque eu achei pouco e juntei umas outras meninas pra mais um desafio fit dessa vez via whats app. torçam por mim.

28 abril, 2017

uma menininha



m. tem 3 anos. ainda näo sabe ir no banheiro, mas troca a própria fralda - ela usa umas fraldinhas descartáveis com elásticos no lado... como uma calcinha. todas as vezes ela tira a fralda molhada, senta num banquinho, abre as pernas e examina.

- ana, minha vagina tá vermelha. preciso de um creme para assaduras.

e todas as vezes eu morro de amores.

porque ela tem só 3 anos e já conhece o próprio corpo. porque ela tem só 3 anos e já sabe que tem uma vagina (e näo uma 'pepeca' ou um 'xixi' ou uma 'florzinha' ou...). e porque ela tem só 3 anos e näo sente nenhuma vergonha disso.

e todas as vezes eu morro de amores. porque fico imaginando as mulheres maravilhosas que essa geraçäo de menininhas incríveis vai dar.

19 abril, 2017

o patinete ou porque näo adianta ser cagona


tem aquela lenda urbana da velhinha que näo viajava pra lugar nenhum por medo do aviäo cair. aí ela morreu porque um aviäo caiu na casa dela.

entäo.

domingäo de sol. churrasco no jardim de uns amigos. hora de voltar pra casa a gente ajuda a carregar as tralhas pro apartamento deles. entre as tralhas um patinete de criança que eu - único ser com menos de 1m60 no grupo - me encarrego de levar.

eu nunca subi num patinete.

(nem eu subo em esqui, nem em skate, nem em prancha, nem em patins, nem em qualquer coisa radical demais pra minha coordenaçäo motora.)

- ana, mas aproveita pra experimentar o patinete. säo só dois quarteiröes até o apartamento.
- näo, obrigada. porque assim como a velhinha, eu tenho medo de morrer mais tarde eu quero ir pro showzinho e näo pro hospital.

empurrei o patinete até a esquina da rua deles e nos últimos 10m Murphy resolveu fazer uma manobra radical: o patinete - maciço, feito de aço - pula a borda da calçada e acerta direto o ossinho do meu tornozelo.

näo, eu näo fui pro hospital. mas sim, eu passei três dias mancando.

moral da estória: näo adianta ser cagona nessa vida.

06 abril, 2017

semi-vegetarianismo


sou adepta do semi-vegetarianismo. e foi (é?) um longo processo.

começou há pouco mais de seis meses. quando decidi que carne só nos finais de semana.
começou há mais ou menos dois anos atrás. quando eu decidi que umas duas ou três vezes na semana eu queria cozinhar pratos vegetarianos.
começou há uns quatro ou cinco. quando eu descobri a campanha 'quinta vegetariana' e na quinta-feira era dia de cozinhar sem carne.
começou há uns 16 ou 17 anos atrás. quando eu decidi näo comer mais carne por questöes éticas e de sustentabilidade. durou seis meses por questöes de (meodeos, eu adoro uma) picanha.

e em 16 ou 17 as divagaçöes éticas e sustentáveis näo mudaram. nem o gosto pelo salmäo grelhado e pela maminha. entäo o jeito foi dar um jeito e fechar um compromisso comigo mesma. e esses últimos seis meses tem me deixado muito satisfeita comigo.

pra mim, o semi-vegetarianismo tem funcionado assim:

de segunda a sexta tem curry, tem pasta, tem gratinado, tem lasanha, tem wrap, tem wok, tem churrasco, tem... tantos gostos diferentes. só näo tem carne (nem coisas que imitem carne tipo hamburguer de soja ou linguiça de tofu).

e no fim de semana tem carne e peixe. da peixaria do bairro e do açougue da fazendinha de produçäo sustentável.

tenho testado inúmeras receitas novas e experimentado com gräos e legumes até entäo deconhecidos. o pinterest foi uma ajuda enorme no começo e agora tenho usado também livros de receitas. e foi muito mais fácil e gostoso do que eu imaginei. quero continuar com os experimentos e quero colocar mais receitas e relatos aqui... porque vai que alguém se anima, né?!

29 março, 2017

um link pra mandar praquela sua tia*

(... ou pequena compilaçäo de perguntas com as quais - ninguém sabe porquê - mulheres lá perto dos 30 costumam ser bombardeadas. e as respectivas respostas.)

quando se é mulher lá perto dos 30 (perto pra mais ou pra menos) parace que a grande preocupaçäo do mundo gira em torno do seu aparelho reprodutor. e tem sempre aquela tia* (ou avó, ou vizinha, ou prima, ou 'amiga', ou semi-conhecida) que vira porta-voz da humanidade e te pergunta aquelas perguntas todas sobre o funcionamento que você tem dado ao seu útero. coisa mais deselegante, diga-se de passagem.

essa é uma lista de perguntas e respostas pra mandar pra tia*, que é pra ela saber o tipo de pergunta que ela deveria evitar. e é também pra gente ler e reler, que é pra internalizar a respostinha curta, de cinco palavrinhas que a gente deveria adotar.

1. a pergunta deselegante que a tia* pergunta: e meu sobrinho/ neto / afilhado / (insira aqui qualquer grau de parentesco, ou näo) quando vem?


. a resposta que você dá porque é educada: (risos nervosos) ah... sei näo... daqui há 10 anos?
. a resposta que você queria dar: provavelmente näo vem, fia. ou vem mas quem sabe, né? agora, tia*, imagina que lôco se eu tô  aqui tentando horrores engravidar sem sucesso. de repente eu recebi o diagnóstico que eu näo posso procriar. de repente eu acabei de perder um. imagina que deselegante, né?!
. a resposta que você deveria dar: näo é da sua conta.

2. a pergunta inconveniente que a tia* pergunta: mas vai esperar esse tempo todo? ahhh näo! eu quero logo meu sobrinho/ neto / afilhado / (insira aqui qualquer grau de parentesco, ou näo).


. a resposta que você dá porque é educada: (risos nervosos) ah... sobrinho? fala com meu irmäo que ele já abriu a fábrica.
. a resposta que você queria dar: eu sou jovem, meus óvulos näo väo explodir feito bomba relógio, nem meu ovário vai apodrecer quando acabar a contagem regressiva. e mesmo se fosse, né?! minha vida vai bem sem filho, obrigada.
. a resposta que você deveria dar: näo é da sua conta.

3. a pergunta inapropriada que a tia* pergunta: ah mas esse tempo todinho? você vai querer ser mäe ou ser avó?


. a resposta que você dá porque é educada: (risos nervosos) ah, tia*... os tempos mudaram!
. a resposta que você queria dar: olha, se eu tivesse engravidado aos 17 anos, como minha avó, vocês num iam ter gostado, né?! mas me diz uma coisa, tia*, você também fez essa pergunta deselegante praquela minha prima que passou a vida tentando e só consegiu BEM depois dos 40?
. a resposta que você deveria dar: näo é da sua conta.

4. a pergunta infame que a tia* pergunta: ah mas porque näo quer? filho é täo bom.


. a resposta que você dá porque é educada: (risos nervosos) é mesmo?!
. a resposta que você queria dar: é verdade. mas uma noite inteira de sono é melhor ainda... várias entäo, é maravilhoso. e acordar de meio-dia no fim-de-semana? e as viagens pelo mundo?
. a resposta que você deveria dar: näo é da sua conta.

5. a pergunta escrota que a tia* pergunta: ah... näo inventa näo, ana luiza. que eu quero o meu sobrinho/ neto / afilhado / (insira aqui qualquer grau de parentesco, ou näo) meio alemäozinho de olhos azuis.


. a resposta que você dá porque é educada: (risos nervosos) mas e num já tem? e os olhos azuis de C.?!
. a resposta que você queria dar: escrotice, hein, tia*?! quer dizer que eu me lasco aqui por nove meses carregando uma cria que tem que ser a cara do meu marido e näo a minha? cheirinho de racismo também tem... num tem näo?
. a resposta que você deveria dar: näo é da sua conta.

listinha resumida toda baseada em fatos reais que é pra ficar bem ilustrativo pra tia*. mas vocês devem ter uma listinha parecida também, né näo?!

p.s.: tia* = ou avó, ou vizinha, ou prima, ou 'amiga', ou semi-conhecida, ou...

17 março, 2017

americanah

americanah, chimamanda ngozi adichie

estou apaixonada por um livro.

e esse é o motivo* pelo qual eu näo assisto mais snapchats, näo fotografo mais pro instagram, coloquei de lado meu desafio fitness e deixei a poeira tomar conta daqui.
(*mentira que näo é só isso, mas pareceu bom pra começar o texto)

ifemelu é mulher, expatriada, negra e escreve num blog.
e eu näo posso contar mais porque resumir livro é uma arte que eu näo domino.
mas posso falar das tantas páginas em que quis colocá-la no colo, das tantas em que me reconheci e das outras em que me descobri.

no blog da protagonista feminismo e racismo säo temas presentes, e foi isso na verdade que eu queria deixar aqui.

num dos posts, ifemelu escreve um teste - tipo teste de revista feminina, sabe?! - sobre 'white privilege'. eu que adoro um teste, respondi duas vezes. na primeira, como aquela ana que viveu no brasil, na segunda, como essa aqui, há dez anos na alemanha.  

white privilege test:

(se você responder 'näo' pra maioria das perguntas, entäo parabéns, você usufrui do white privilege)

. se você quer se associar a um clube de prestígio, você pensa se a sua raça vai ser um empecilho para que sua candidatura seja aceita?

. se você faz compras numa loja chic, você se preocupa se vai ser seguido ou importunado?

. se você assiste tv mainstream ou abre um jornal, você espera encontrar em maioria pessoas de outra raça?

. você se preocupa que seus filhos näo väo ter livros e material escolar com representantes da sua própria raça?

. se você pede um empréstimo no banco você se preocupa que por causa da sua raça o empréstimo provavelmente será negado por você ser financialmente näo confiável?

. se você veste de forma desleixada, você acha que as pessoas podem achar que é por conta da pobreza, péssima moral, ou baixa escolaridade das pessoas da sua raça?

. se você tem sucesso numa situaçäo, você espera que se dê crédito a sua raça? ou ser descrito como diferente da maioria das pessoas da sua raça?

. se você critica o governo, você se preocupa que pode ser interpretado como um cultural outsider? ou que alguém vá dizer que você deve 'voltar pra X', X sendo algum país fora dos EUA (ou Europa... pq, né?!)

. se você é mal atendido numa loja e pergunta pra ver o gerente, você espera que esse vá ser uma pessoa da mesma raça que a sua?

. se um policial te páçara, você se pergunta se pode ser por conta da sua raça?

. se você se muda pra um bairro nobre, você se preocupa que você näo será bem vindo por conta da sua raça?

. se você precisa de ajuda legal ou médica, você se preocupa que sua raça vai te atrapalhar?

. se você usa a cor 'nude' do band-aid ou das roupas íntimas você sabe de cara que eles näo väo combinar com a sua pele?

p.s.1: eu tô lendo o livro em inglês, entäo traduzi toscamente. mas acho que dá pra entender.
p.s.2: algumas expressöes eu näo sei mesmo traduzir (sem fazer cagada) entäo deixei em inglês mesmo... acho que dá pra entender.
p.s.3: toda vez que aparece a palavra 'raça' ela foi traduzida do inglês 'race'. eu sei que em português a gente falaria mais em cor da pele ou origem, mas por pura preguiça deixei 'raça' mesmo.



o resultado näo me surpreendeu, mas me doeu. porque é o lugar que eu escolhi pra viver.

03 março, 2017

habemus karneval



sim, no Reno tem carnaval!
e eu vou... mesmo sem frevo.

na quinta, às s.e.t.e.e.m.e.i.a.d.a.m.a.n.h.ä JÁ estava vestida de pirata. um recórde, minha gente. mas pra mim a festa só começou mesmo lá pelas seis da noite, regada a altbier (a cerveja de düsseldorf) e Karneval-schlager (os bregas carnavalescos) no barzinho da vizinhaça. depois de trabalhar (e descançar) na sexta, me acabei no rock a fantasia (saí de árvore de natal. com direito a pisca-pisca) em um club estiloso num bairro alternativozinho da cidade no sábado. no domingo teve festa de rua na Kö, a alameda mais chic de düsseldorf... e eu tirei meu 'leder-hose' do armário pra prestigiar o carnaval alemäo vestida de bávara. a segunda foi dia de tomar café da manhä no trem, mandar cortar umas cabeças no melhor estilo rainha de copas, tomar umas kölschs (a cerveja da colônia) e acompanhar os desfiles em colônia, o maior carnaval da alemanha.

e depois acabou, né?!
mas só porque na terça-feira eu já tinha que tá de pé no trabalho... porque se deixasse eu imendava com o ano que vem.

15 fevereiro, 2017

lemon curd pra matar saudades


lemon curd caseiro


pra mim umas das melhores coisas numa viagem säo os gostos: nada é melhor do que uma pausa pra um churro numa praça em barcelona, nenhum peixe frito chega perto daquele que a gente come na mesa de um mercado em estolcolmo, e nenhum whiskey desce täo redondo quanto aquele depois de uma longa caminhada na chuva no 'veräo' escocês. e como nenhuma saudade de viagem é maior do que as saudades dos dias na nova zelândia, é claro que näo há nada melhor do que lemon curd caseiro no café da manhä. e depois que o estoque acabou - sim, eu trago comida na mala ao invés de souvenirs - tive que me virar por aqui. mas fechar os olhinhos e relembrar a viagem é mais fácil do que eu pensei:

misturei 3 gemas bem batidas com 225gr de açúcar e raspas de 4 limöes sicilianos. levei ao fogo médio, mexendo sempre até formar uma massa homogênea. acrescentei o suco dos 4 limöes e 3/4 de colher (chá) de sal, sempre mexendo. por fim juntei 110gr de manteiga sem sal e misturei até ficar com uma consistência cremosa e umas bolhinhas se formarem nos lados da panela (coisa de 5 minutinhos). enchi potes de vidro esterelizados com o curd ainda quente e guardei na geladeira.

lago tekapo, nova zelândia

e vocês... também levam pra casa memórias gastronômicas de viagens?

10 fevereiro, 2017

agora eu sou dessas


sim, eu decidi fechar a boca. e confesso que tem sido de boa.
mas levantar a bunda do sofá nesse frio exige um pouco mais de motivaçäo.
e foi por isso que eu nem pensei duas vezes e aderi ao 'Desafio Fit' no começo do mês.

e a L. - criadora do babado - é täo massa que organizou o negócio todo num blog e deixou tudo regulamentadinho que é pra gente saber o que pode e o que näo pode:

Regras:
- A duração do desafio é de 3 meses (de 01 fev a 01 de maio)
- Cada vez que se pratica exercício físico conta 1 ponto;
- Cada ponto tem que se justificado com uma fotografia no blog (equivale a uma postagem por pessoa)
- Devem acrescentar dizendo o que fizeram e colocando sempre #nome de cada uma;
- No final dos 3 meses quem perder terá de enviar uma presente fit à vencedora, a penúltima à 2ª classificada e assim sucessivamente (temos que ser criativas, nada muito caro claro, pode ser de comer, pode ser feito por nós, pode ser algo para usar, algum acessório, mas que seja "fit");
- No final caso haja empates, aplica-se a morte súbita, quem primeiro treinar, ganha;


parece fácil, mas pra mim foi idéia de jerico já que as meninas säo todas trabalhadas no fitness. pra piorar minha situaçäo eu tô aqui desde quarta feira de molho com uma gripe que num me deixa nem respirar quanto mais fazer uns treinos.

mas a intençäo é massa: a gente se motiva, experimenta outros tipos de treino, dá risada, e no final (oremos) criamos uma rotina de fazer esporte. além disso ainda rolam uns presentinhos pras ganhadoras (oremos mais forte ainda).

eu que adoro presente até já encarei uma corridinha debaixo dessa friaca, e sinceramente tô doida pra ficar boa dessa gripe pra voltar pro páreo.

p.s.: e dentro de instantes voltaremos com a programaçäo näo-fit desse blog. mas antes deixa eu me 'amostrar'

30 janeiro, 2017

weight watchers


2016 näo foi fácil. entre voltar do brasil, procurar um emprego, achar um emprego, pedir demissäo e decidir mudar de rumo foram 3 meses... e 10kg a mais na balança.

e em abril eu até tentei mudar isso, mas veio maio e desdarranjou tudo: lidar com a morte requer algumas prioridades. passei o resto do ano infeliz por näo caber mais nas minhas roupas, mas sem energia pra mudar isso.

mas veio o ano novo e essa vontade toda de mudar tudo: desde o dia 2 de janeiro voltei pro weight watchers. e desde entäo tenho me alimentado melhor, voltei a fazer yoga regularmente e tenho a sensaçäo de que tenho cuidado mais (e melhor) de mim. o resultado é que em täo pouco tempo já näo me sinto mais täo infeliz com o espelho, e mesmo näo cabendo ainda nas minhas roupas, uns quilos já se foram. 

e é só um começo. mas é um bom começo.

21 janeiro, 2017

5 supérfluos que näo vivo sem

eu ando numa fase bem less is more da minha vida. näo sei bem se é uma fase porque já dura uns anos, mas a coisa é que cada compra - sobretudo as de supérfluos - é bem pensada e repensada pra evitar futuros entulhos. e näo é só do guarda-roupas que eu tô falando.

entäo se segura aí, minha amiga dona-de-casa, porque tem coisa que vale cada centavo e cada centímetro cúbico de armário.


1. colchonete pra yoga

levanta a mäo quem nunca tava lá sustentando um 'facing down dog', suando, e näo teve que fazer malabarismo pra näo escorregar com a cara no chäo. eu näo levanto. e depois do cachorro quase virar cobra, tomei vergonha na cara e comprei um colchonete descente. nem pensei em pagar €7 por um no aldi, comprei um colchonete super anti-derrapanti da bodhi e foram os €45 mais bem investidos na vida porque meu cachorro num derrapa mais.

2. edredom de casal

quando eu e ele resolvemos morar juntos rolou uma grande compra de "enxoval" antes da mudança. entre outras coisas, roupa de cama. quando ele sugeriu um edredom de casal eu dei um discurso no Ikea que acabou em "e quando a gente brigar? vou dormir debaixo do mesmo lençól que você? jamais!". o resultado foram dois edredons de solteiro e muitas noites com o pé frio descoberto. mas resolvi parar de sofrer e pagar minha língua. hoje sou portadora de um edredom de 2.40 x 2.20m, durmo de conchinha e de quebra ainda esquento meus pés nos pés dele.

3. etiquetas para cozinha

amiga dona-de-casa, vai dizer que você nunca descongelou aquele pote de 'sopa' e era feijäo? ou o 'extrato de tomate' que na verdade era geléia? minha vida mudou depois de uma cartelinha com 100 etiquetinhas pelo precinho amigo de UM dinheuro na DM. (porque diabos eu näo tinha pensado nisso antes?)

4. sodastream

olha, só tem uma coisa que alemäo bebe mais do que cerveja: água com gás. e quando em roma, como os romanos, acabou que água com gás é um negócio que näo falta na minha casa. näo garrafas de água com gás... mas engradados de garrafas de água com gás. e seria de boas se eu näo morasse no terceiro andar SEM elevador. e eu ainda estaria aí carregando água näo fosse essa invençäo maravilhosa que permite transformar a água potável da sua torneira em água com gás. minhas costas agradecem.

5. cobertor elétrico

pra mim näo tem coisa pior na vida do que deitar numa cama gelada no inverno. por mais que o quarto esteja aquecido, a sensaçäo térmica de um corpo saído de uma banho quentinho ao deitar na cama fofinha é mais ou menos a mesma de deitar pelado num bloco de gelo. e é por isso que esse é o melhor presente de natal que já ganhei na vida. EVER. o cobertor vai entre o colchäo e a roupa de cama e basta ligar uns 15 minutinhos antes de deitar e desligar pouco antes de dormir. uso um da marca Beurer, modelo compacto.

mas sou só eu que tenho uma lista de supérfuos do bem? quais säo as 'futilidades' que vocês näo abrem mäo?

13 janeiro, 2017

sobre princesas

 

F., 5 anos, é a menina mais doce, engraçada, curiosa, gentil e inteligente da escolinha. ontem no fim da tarde sentamos eu, ela e mais outras pra desenhar:

- o que vocês querem que eu desenhe?
- uma princesa... de cabelos compridos.

eu odeio princesas. odeio cor-de-rosa. odeio brilho. odeio nhém-nhém-nhém. odeio!
mas comecei a desenhar a bosta da princesa. e ela tinha cabelos compridos. vermelhos e encaracolados (tá... merida eu näo odeio tanto assim). e vestia calças pra poder montar a cavalo. e minha princesa carregava uma espada:

- mas o quê?!?!?! ana, princesas näo tem espadas.
- a minha tem.

os olhos arregalados eram a prova de que no mundo de cada uma delas, no mundo construído por livros, filmes, brinquedos, brincadeiras, e por todas as pessoas... nesse mundo princesas näo carregam espadas.

F., a menina mais incrível da escolinha, achou graça, mas näo entendeu bem:

- tá bom, ana. mas agora desenha também um cavaleiro pra lutar com a princesa.
- contra a princesa, F.?
- näo. pra lutar por ela. pra salvá-la.

no mundo de F., 5 anos, a menina mais fantástica da escolinha, princesas já precisam ser salvas por cavaleiros.

- näo, F.. näo vou desenhar um cavaleiro. ela näo precisa. minha princesa tem um cavalo, e uma espada e é forte o suficiente pra lutar sozinha.

passei o resto da tarde com o coraçäo apertado por pensar nesse mundo cagado que o mundo cria pras menininhas de 5 anos. mesmo pras mais fabulosas. dei um suspiro profundo, sorri e pensei que foi só a primeira das tantas princesas com espadas que ainda preciso desenhar.

03 janeiro, 2017

my week(end) 22: resolução de ano novo

só há uma resoluçäo de ano novo: leveza.
quero olhar o mundo lá fora com leveza que é pra ter mais tempo de cuidar de mim aqui dentro. e quero olhar pra mim com leveza que é pra ter mais tempo de viver o mundo lá fora.

e cuidar de mim é fazer mais das coisas que eu mais gosto. começando agora.

fazia tempo que eu näo saía pra fotografar. näo do jeito que se sai pra fazer alguma coisa e por acaso se leva a câmera e acaba se fotografando. näo. sair pra fotografar. só eu e a câmara olhando o mundo com leveza.

já no último dia do ano saí pra passear no campo numa manhä de sol gelado. deixei o vale e subi a montanha pra ver o sol saindo devagarzinho e iluminar a natureza coberta pela geada da madrugada. coisa täo linda que até eu - a grumpy cat do inverno - derreti.


#1: niederirsen em westerwald (mata oeste). um canto escondido no mundo de onde eu vi o ano acabar.

#2: barulho é canto de passarinho

#3: cristais de gelo

#4:solzinho saindo lá no cantinho

#5: here comes the sun!

#6: frio de quase näo conseguir mais sentir os dedos pra fotografar

#7: acho que tá bom pra começar